[Resenha] Uma Princesa de Marte, de Edgar Rice Borroughs



Sei que só prometi outra resenha para amanhã, mas me perdoem a indisciplina. Para falar bem a verdade, estou desde terça-feira morrendo de vontade de postar. Quem aí curte ficção científica?


- Ficha técnica
Título original: A Princess of Mars
País de origem: EUA
Autor(a): Edgar Rice Borroughs
Editora: Aleph
Ano: 2012 (2ª edição)
Número de páginas: 269
Leia a sinopse aqui.



O livro, publicado e 1917, conta a história do Capitão John Carter, que acaba indo parar em Marte (ou Barsoom, dependendo de que planeta você vem) sem mais nem menos.

Nesse planeta estranho habitado por diversas raças de criaturas bizarras, John Carter tem que reaprender a fazer literalmente tudo: andar, falar, comer, se comportar. E é quebrando muitos protocolos e cometendo várias gafes que ele conhece Dejah Thoris, uma princesa de uma raça rival que foi tomada prisioneira, e se apaixona por ela.

A partir daí, a história se desenvolve com a saga do personagem para salvar sua amada e fazer com que ela se case com ele.

Olhando dessa forma, a história soa bastante bizarra – e é mesmo. Em um momento John Carter está na Virgínia, fugindo dos “selvagens” que mataram seu amigo, e em outro ele acorda em Barsoom, completamente nu. Apesar disso, admiro a imaginação do autor (que também escreveu Tarzan, para quem não sabe), por ter se inspirado nas inovações e descobertas tecnológicas da época para criar um mundo completamente novo e totalmente diferente do que nós conhecemos, com animais, paisagens e tecnologia próprios.

Entretanto, nem tudo são flores: o livro é narrado em primeira pessoa pelo próprio John Carter (suposto tio do autor, que toma parte na história e inclusive assina o prólogo com seu próprio nome – outro ponto muito positivo) na forma de um diário/relato. Isso, por si só, não é um ponto negativo, mas a escrita em si não me agradou. Soou como algo coloquial demais, algo que eu poderia ter lido no facebook. Não é que eu seja purista e exija uma linguagem erudita independente de lugar e tempo – não sei explicar bem. “Desleixado”, talvez. Simplesmente não me agradou, mas essa é uma opinião pessoal.

Apesar disso, gostei muito de o autor ter se posto na trama e bolado uma forma de apresentar a história que realmente nos faz questionar se não existiu um John Carter que foi para Marte e se apaixonou por uma princesa.

A linguagem do livro é bem simples e, apesar de ter bastante descrições (necessárias, a não ser que você já tenha estado em Barsoom), não achei que chega a ficar cansativo.

Sr. Borroughs que me desculpe, mas não gostei do personagem principal do livro. Não consegui acreditar nele. Achei-o excessivamente “aventureiro” – a ponto de ser irreal – e “perfeito” demais, por assim dizer. Ele não tem nenhuma falha declarada ou implícita; não me pareceu humano.

Os outros personagens eu não vou criticar (no sentido negativo da expressão). Com eles, o autor teve plena liberdade para fazer o que quisesse, já que eles não tinham nenhum compromisso com qualidades humanas e eram raças completamente desconhecidas para nós.

Achei curiosa e merecedora de citação a crítica do autor ao comunismo – consolidado na forma dos homens verdes, que são cruéis, sanguinários, imorais, que não conhecem relações de família e são incapazes de amar –, em contraposição aos homens vermelhos, com seu grande desenvolvimento cultural, intelectual e tecnológico, além de um senso moral mais apurado e um caráter mais afetuoso.

Por último, achei o romance entre o protagonista e a vermelha Dejah Thorris bastante corrido. John Carter faz de tudo para salvar e conquistar a princesa, mas o que vemos do relacionamento entre os dois, propriamente dito, é muito pouco. Com certeza merecia mais desenvolvimento.

A capa do livro é interessante e tem relação com a história, mas achei que o excesso de vermelho (ainda que o livro fale de Marte, a capa não precisava ser toda vermelha) prejudica um pouco a visualização e cansa os olhos. Gostei mais dessa capa, usada na edição de 2010 da mesma editora.

A edição me agradou, as letras são de um tamanho bom e confortável e as páginas são amareladas, ou seja, não refletem a luz e cansam menos os olhos. Também não achei nenhum erro (de pontuação, digitação etc.), o que é sempre um ponto muito positivo. A Aleph é sempre muito cuidadosa na edição dos livros.

No final das contas, acredito que a balança de pontos positivos e negativos é bem equilibrada. Se o livro não me agradou totalmente, também não me desagradou. Ainda planejo ler as sequências, quando tiver tempo e (definitivamente) aos poucos, pois o a série conta com 11 livros, no total - mas nem todos foram lançados no Brasil ainda.

Então, alguém mais já leu Uma Princesa de Marte?


Para mais opiniões sobre o livro, vocês podem consultar os links abaixo:
Guerras dracônicas (traz um panorama bem legal sobre o contexto, o autor e o livro em si)
Babi Dewet
Mito livros

16 comentários:

  1. Eu já assisti ao filme e nem sonhava que existia um livro, ainda mais tão antigo rs
    A história é bem legal, pelo menos como filme funciona bem, tem muita ação, mas é beeeem louco rs

    Bjs,
    Kel
    www.itcultura.com.br

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    1. Põe louco nisso, Kel! Mas funciona, vai por mim.

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  2. One livros, sério? Putz!!! kkkkkk
    Eu vi o filme e quando ele saiu também teve uma versão de livro com capa de cinema, não foi? Mas não lembrava que tinha esse título.
    Eu gostei bastante do filme, mas não li o livro. :(
    Realmente essas capas com muito vermelho cansam a vista.

    Adorei seu blog, viu? Simples e belíssimo!!

    bjuss
    terradecarol.blogspot.com

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    1. Saiu uma edição com a capa do filme, sim, Carol. Mas o título também era diferente ("John Carter - entro dois mundos"). Não digo com certeza, mas pelo que eu li da sinopse, a história parece ser a mesma. Achei estranhíssimo isso.

      Muito obrigada pelos elogios. Também achei seu blog uma graça!

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  3. Eu só conhecia o filme, acredita? E nem assisti ainda!
    Acredito que o livro foi concebido para agradar tanto os fãs de ficção científica como de romance e acho que isso foi o que tornou o livro mediano, não ter um foco. Bom, pelo menos eu acho.
    Excelente dica. ;)

    Um beijo,
    Luara - Estante Vertical

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    1. Luara, achei muito legal sua opinião sobre a concepção do livro, não tinha pensado nisso. Pode ser que seja isso, mesmo. Tem muita gente que não consegue imaginar uma boa história sem uma pitada de romance!

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  4. Não cheguei a assistir ao filme, acho que isso é uma vantagem para mim. Achei a premissa interessante, mesmo que o gênero não seja meu predileto.
    E eu gostei da capa,só acho que deveria ter uma sombra a mais representando a princesa :)

    beijos.

    http://olivrodasemana.blogspot.com.br/

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    1. Acho que é vantagem, sim, Virgínia. O filme mais recente (John Carter) reúne elementos também de outros livros da série. Para quem não leu todos, fica difícil distinguir o que é original da história e o que é criação dos produtores do filme.

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  5. Ainda não, mas sua resenha me deixou maluco para ter na estante, mesmo não tendo gostado muito da capa! Hehehe
    Beijo,
    Vinícius - Livros e Rabiscos

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    1. Que bom que consegui isso, Vinícius! Quando ler e der sua opinião, não deixe de me avisar.

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  6. Não conhecia esse livro, e embora os pontos + e - estejam balanceados acho que eu não leria, não faz muito meu estilo de leitura. Gostei da resenha você expôs bem sua opinião.

    bjos
    Pah
    dicalivros.blogspot..com.br

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    1. Sei como é, Pah. Tem uns livros que simplesmente não nos animam.

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  7. Nunca tinha ouvido falar deste livro, mas agora fiquei MUITO curiosa para saber mais sobre ele! Espero poder lê-lo ainda este ano.

    Beijos, Jac
    http://behind-thewords.blogspot.com.br/

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  8. Nunca ouvi falar do livro, do autor ou da editora rs
    Mas parece que os pontos negativos e os positivos são nivelados.
    Não é um genero que me chame a atenção, mas acho que se porventura tivesse a chance, eu leria o livro.
    Bela resenha.
    Um beijo e aproveita pra visitar meu blog

    Baiana Literal
    http://tharcilalima.blogspot.com.br/

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    1. Tenho dessas também, Tarcila. Não me interesso o suficiente para correr atrás, mas não me oponho se chega às minhas mãos.

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